algumas coisas não são pra acontecer...
Escrito por Cléo De Páris às 04h44
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hoje o Uol comemora o dia do teatro e me pediram um texto. aí está!
sem rede de proteção
sempre nas entrevistas tem essa pergunta: qual a diferença entre teatro, cinema e televisão? a resposta pode ter mil explicações, são veículos diferentes, o teatro é onde o ator tem mais domínio, a troca com o público é incrível... eu concordo com tudo isso e discorreria um tempão falando dessas diferenças, dos abismos que separam as linguagens. mas nunca me fizeram essa pergunta. porque, primeiro, não sou famosa, segundo, não faço tanto cinema e fiz pouca televisão. se me perguntassem, eu sei o que diria, eu diria assim: o teatro não tem rede de proteção. é preciso amar o risco pra escolher ser um ator de teatro, um diretor de teatro, um figurinista, um cenógrafo, um contra-regra, um bilheteiro. é preciso abandonar coisas, estar naquele lugar naquela hora que o jornal indica e não importa se 1.000 pessoas vão sair de suas casas pra ficar numa sala escura fechada esperando maravilhas de você ou se serão 5 pessoas. não importa. importa que você vai sair de sua casa nesse dia, durante meses, nessa hora, com vontade ou sem, gripado, triste, preocupado, aflito, desiludido, você vai sair no meio de uma tempestade ou na noite mais linda da primavera, vai desligar a tv, apagar as luzes, pegar um ônibus, vai dizer oi pra seus companheiros, vai sentar na bancada, transformar seu rosto, vestir uma roupa que nunca estará no seu guarda-roupa, mas que fará parte da sua vida pra sempre, e vai fazer de um tudo pra maravilhar 1.000 pessoas ou 5 pessoas. e você só tem aquela chance, nunca mais. o outro dia vai ser outro, serão outras as pessoas, será outra sua energia, pode quebrar o zíper do vestido, pode faltar luz, pode inundar a cidade, pode dar tudo mais certo, pode dar tudo mais errado, nunca se saberá, o momento é só agora, o teatro é só agora. meus amigos próximos não gostam muito de ir em estréias minhas. eu sei como é, fica aquela vontade de que tudo dê certo, de que as pessoas gostem, de que o amigo mesmo goste e saiba o que falar. mas tenho um amigo que não vai nunca a meus espetáculos! "por quê?" eu quis saber. "porque eu sinto medo por você", ele disse, "parece que vou te ver com a cabeça na boca do leão, vou ficar tenso demais." entendi, claro, e não cobro sua presença apesar de ser ele um amigo muito especial. ele vê meus filmes, que já estão prontos há tempo, vê coisas que saem na mídia a meu respeito, provavelmente leia esse texto mas na hora da peça, ele sabe que se eu escorregar do trapézio, não terei rede. ele sabe que alguém pode atender o celular, que um bêbado pode invadir o palco, que o salto do meu sapato pode quebrar (como já quebrou!) que a cortina do cenário pode cair (como já caiu!)... ele sabe e eu sei que é um completo absurdo o que eu faço, que é estranho uma pessoa não ter fim de semana, Páscoa, Carnaval, trabalhar doente, ter medo de chorar na hora que não pode, ter medo de não chorar na hora que precisa, ter medo de branco, de soluço, de gaguejar. mas ele também sabe e eu também sei que não seria feliz sem tantos sonhos e que eles, os sonhos não precisam de rede de proteção.
 cena de Asas do Desejo, Win Wenders
Escrito por Cléo De Páris às 01h50
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a música mais linda do mundo nessa semana
Para ver as Meninas
Paulinho da Viola
composição: Paulinho da Viola
Silêncio por favor Enquanto esqueço um pouco a dor no peito Não diga nada sobre meus defeitos E não me lembro mais o que me deixou assim Hoje eu quero apenas Uma pausa de mil compassos Para ver as meninas E nada mais nos braços Só este amor assim descontraído Quem sabe de tudo não fale Quem não sabe nada se cale Se for preciso eu repito Porque hoje eu vou fazer Ao meu jeito eu vou fazer Um samba sobre o infinito
Escrito por Cléo De Páris às 01h48
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“E aqueles que foram vistos dançando foram chamados de loucos por aqueles que não conseguiam escutar a música.”
Friedrich Nietzsche
Escrito por Cléo De Páris às 20h56
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Escrito por Cléo De Páris às 02h29
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A maior riqueza do homem é a sua incompletude. Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito. Não agüento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc. etc. Perdoai Mas eu preciso ser Outros. Eu penso renovar o homem usando borboletas.Manoel de Barros
Escrito por Cléo De Páris às 02h03
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foi condenada por sensibilidade excessiva. ré confessa e reincidente, não se importou, cumpriu mais uma pena.
Escrito por Cléo De Páris às 02h40
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a música mais linda do mundo nessa semana
Chovendo na Roseira
Elis Regina
Composição: Tom Jobim
Olha está chovendo na roseira Que só dá rosa mas não cheira A frescura das gotas úmidas Que é de Luisa Que é de Paulinho Que é de João Que é de ninguém
Pétalas de rosa carregadas pelo vento Um amor tão puro carregou meu pensamento
Olha um tico-tico mora ao lado E passeando no molhado Adivinhou a primavera
Olha que chuva boa prazenteira Que vem molhar minha roseira Chuva boa criadeira Que molha a terra Que enche o rio Que limpa o céu Que trás o azul
Olha o jasmineiro está florido E o riachinho de água esperta Se lança em vasto rio de águas calmas
Ah, você é de ninguém Ah, você é de ninguém
Escrito por Cléo De Páris às 01h53
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