pra dizer que não falei das flores

não sei porque tanto esquecimento. não sei porque desajeitar os cabelos assim, andar à toa, cansar de ser Helena de Tróia. não consigo saber porque tanto medo se a melodia é tão linda. -sou uma moça cheia de antigos defeitos, cheia de obturações prateadas, de sonhos inacabados, de marcas orgulhosas de guerra. sou do século passado, de quando as estações diziam o que queriam dizer. eu me encanto com ladrilhos coloridos, eu espero os vaga-lumes no Natal, todo Natal. eu ganho muitos amores e eu não sei sobreviver. eu tremo ao assinar o nome. eu procuro coragem pra pedir licença pra ser feliz. eu olho pra você. mesmo quando não te vejo, eu olho pra você. eu não sei bem qual é a direita e qual é a esquerda, não dirijo, não vou bater na sua cara. eu sou uma moça que não sabe. que sabe machucar os joelhos. eu tomo atitude com dois copos de água, não gosto de leite. na mesa, um só lugar. às vezes dois pra caber tanta insistência. eu vim de longe, eu ponho a mão no peito pra saber que estou aqui. eu tenho muitas roupas novas, com etiquetas no guarda-roupa há anos. eu lembro do dia em que aprendi a gostar de beterraba, mas não lembro dos tantos que insiti pra gostar de verdade. eu queria um amor assim, de aprender a gostar e não desaprender nunca mais! eu preciso me conter com as exclamações, elas me atraem! as letras maiúsculas nem um pouco, preciso ficar lembrando que existem. eu queria um amor meio exclamações meio letras maiúsculas... eu não sei me retirar com elegância. as fotos não querem sair dos porta-retratos. eu já me envenenei muito de mim, é que sou forte. eu tenho coragem de dizer que sei mentir, mas não muito. -sou uma moça fácil de ser encontrada por príncipes encantados. às vezes sou feia, às vezes sou bonita, às vezes sou uma moça que dói... tenho predileção por tempestades, mas isso não chega a ser um privilégio. sou inexata. de tanto que guardo os momentos, nunca sei direito onde estão... eu acho que um dia vou olhar bem no fundo dos olhos da felicidade e perguntar: "e então, minha filha, vai ficar? não seja mais indecisa do que eu!" -eu não tenho muita noção das distâncias, me atrapalho com o ir. faz cinco meses que não me corto. eu consigo me arrumar em quinze minutos pra qualquer ocasião. quando gosto de uma coisa, compro outra igual, pra depois que gastar. eu queria que fosse fácil clonar pessoas e principalmente gatos. eu aperto todos os poros pra tirar um pouco da dor. sou uma moça que precisa de calma. -eu sei que xampu johnsons não faz bem pro meu cabelo, mas mesmo assim eu uso pra ler no chuveiro "chega de lágrimas, no more tears". eu gostaria de trabalhar numa fábrica de adoçantes. não sei porque ser uma moça das que correm, não ser das que flutuam, não sei porque ser uma moça das que sentem tanto, das que vão, das que querem ser lidas agora. das que não querem ser colocadas nas mesas de centro. -sou uma moça que pintou o cabelo sem querer, que fugiu pra tentar ficar. que perdeu o trem no dia em que viu o sol esquecer. tenho as unhas bem fraquinhas e a vida é difícil de arranhar. eu não sei ler mapas. eu não gosto que levem o meu charme na coleira. -sou uma moça que inventou ontem uma sopa deliciosa de gengibre! e queria fazer um panelão bem grande pra muita gente sentir o gosto. quando não sei o que fazer de mim, os demônios sabem direitinho. tenho coleção de caixinhas de música, perdi minha coleção de esperanças. não tenho mais pesadelos com medo da morte. é que a obviedade da vida encravou em mim. mas eu sei! vou colecionar olhares! começo com o seu! até transbordar de languidez e de sorrisos de agora. até ser uma moça que sabe. que sabe amar você.
Escrito por Cléo De Páris às 14h52
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MIX SATYRIANAS
peguei no blog do Ivam. até sou citada na crítica do Emilliano Freitas, da Bacante! adorei.
FOTOMIX http://maratonafotomix.blogspot.com/
CRITICAMIX http://www.bacante.com.br/revista/especial/satyrianas-2008
Escrito por Cléo De Páris às 15h49
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a música mais linda do mundo nessa semana
Solidão
Tom Zé
Composição: Tom Zé
Solidão, que poeira leve Solidão, olha a casa é sua O telefo/ Solidão, que poeira leve Solidão, olha a casa é sua E no meu descompassa o riso dela
Na vida, quem perde o telhado Em troca recebe as estrelas Pra rimar até se afogar E de soluço em soluço esperar A vida que sobe na cama E acende o lençol Sol lhe chamando Sol-licitando
Solidão, que poeira leve Solidão, olha a casa é sua O telefo/ Solidão, que poeira leve Solidão, olha a casa é sua E no meu descompassa o riso dela
Se ela nascesse rainha Se o mundo pudesse agüentar Os pobres ela pisaria E os ricos queria humilhar Milhares de guerras faria Pra se deleitar Por isso eu prefiro cantar sozinho
Solidão, que poeira leve Solidão, olha a casa é sua O telefone chamou, foi engano Solidão, que poeira leve Solidão, olha a casa é sua E no meu descompasso passa o riso dela
Escrito por Cléo De Páris às 13h21
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adoro essa historinha, ouvi há anos numa peça do Yoshi Oida, não esqueci nunca mais.
um camponês muito pobre tinha um cavalo. numa noite, o cavalo fugiu. então, o camponês foi na casa do seu vizinho, desolado: "eu só tinha esse cavalo e ele fugiu, que azar". e e vizinho respndeu: "não sei se é sorte ou azar." no dia seguinte, o cavalo voltou trazendo outro cavalo lindo! ele foi à casa do vizinho: "meu cavalo voltou e trouxe outro cavalo ainda melhor, que sorte!" e o vizinho disse: "não sei se é sorte ou azar." então, o filho do camponês, muito feliz, foi galopar com o novo cavalo, caiu e quebrou a perna. ele voltou à casa do vizinho: "meu filho saiu com o cavalo novo, quebrou a perna, que azar." e o vizinho: "não sei se é sorte ou azar." no dia seguinte, começou a guerra, todos os jovens foram recrutados, menos o filho do camponês, porque estava com a perna quebrada. ele correu à casa do vizinho: "meu filho não vai pra guerra porque está com a perna quebrada! que sorte!" e o vizinho: "não sei se é sorte ou azar..."

Escrito por Cléo De Páris às 16h13
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Oba! Obama!!!!
Escrito por Cléo De Páris às 07h11
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