Teatro para Alguém
esse é o projeto da Renata Jesion e do Nelson Kao. maravilhoso! vou participar agora desses que aparecem no flyer abaixo, estou muito feliz, amo a Renata e essa idéia é simplesmente genial. o de hoje é ao vivo às 22 hs.
conheçam melhor o projeto no link ao lado, outro dia falo mais.

Escrito por Cléo De Páris às 13h15
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aqui jaz manjericão
acordou num sobressalto. o pesadelo era: olhava pela janela, sentada à mesa, um escorpião caía em seu prato. na sala, muitas pessoas, ela corria pra pedir ajuda, ninguém se importava em ajudar a matar. ela tinha medo de voltar, só pensava no veneno, que fatalmente a atingiria. angústia. angústia. angústia. solidão.
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agora que ele não voltaria nunca mais. ela pensou que tinha comprado muito queijo fresco. pensou que ele voltasse logo cedo. mas não. pra comer tanto queijo, poderia abandonar os suplementos de cálcio, por uns dias. já que ele não voltaria mais, economizaria cápsulas de cálcio. reconfortante não era, as cápsulas quase nunca são. mas uma espécie de alento. então resolveu tomar mesmo assim. pra não sobrar nada. estava exausta de sobras. tinha a sensação de que ia começar a se livrar de tudo, como um navio que está naufragando e precisa se livrar do peso. foi assim que planejou um balanço. de tudo que era inútil e desnecessário. decidiu começar pelos sonhos. jogando um por um pela janela, pra não afundar. afinal, os sonhos eram os que mais pesavam!
de todos os sonhos, o que mais importava ainda era a horta. sim, eles teriam uma horta! já tinham comprado as plaquinhas: sálvia era muito importante, hortelã, manjericão, salsa, cebolinha, pimenta, até orégano que ela não gostava muito... coentro não, que ela não gostava nada. ficou tudo na última gaveta. o amor na última gaveta até que as sementinhas não mais tivessem vida. os outros sonhos foram bem regados e deram lindos frutos. o sonho da horta, amortecido pela brutalidade da vida, esmaeceu. precisou de um chá de cidreira pra aplacar a certeza triste. na caixinha estava. pronto pra dar reconforto. depois, jogou janela abaixo a última gaveta, a dos sonhos que não tiveram chance de ser sonhados. e jogou os sonhos todos que estavam espalhados pela casa. nenhum sobrou. e foi um pouco triste. olhar a última gaveta e ver que na horta... as plaquinhas tinham virado lápides. aqui jaz manjeircão, que não teve chance de ser sonhado.

Escrito por Cléo De Páris às 13h23
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um começo
2009 ou 2025, não importa. todos os anos passam, trazem coisas, levam outras. todos os anos são cheios de alegrias, de mortes, de dores, de risos, de despedidas, de começos e recomeços. todos eles são oportunidades únicas de aprender a viver melhor, de aprender a olhar nossa vida de um ponto. pra tentar saber quem somos e pra onde queremos ir. ou ficar.
meu 2009 começou sem grandes acontecimentos. quer dizer, sem grandes bons acontecimentos. ou então, talvez eu queira dizer que estou assimilando a vida com menos ilusão. estou vendo o que vejo, não mais do que isso. e pode ser muito bom. viajei pra Paraty com amigos muito queridos. foi divertido e até mágico. passear de barco pelas ilhas, conhecer a cachoeira mais linda que já vi, brincar como criança, sentir segurança, sentir amparo, sentir saudades, sentir. mas na noite do Ano Novo, tinha muita gente tentando chegar no mar pra jogar flores. quase me desesperei. depois, apaguei todas as minhas fotos e vídeos da câmera num vacilo besta... câmera nova... quebrei ela também, mas de raiva e com minhas mãos. não me arrependi. se não tivesse quebrado, não sei onde teria enfiado tanta raiva. depois, tudo normal. a viagem continuou ótima. voltando, fui pra praia do Engenho, um lugar incrível! mais diversão, bons amigos e felicidade pra deixar o tempo passar um pouco leve. de volta a São Paulo outra vez, a primeira reunião importante. horrível. foi como apagar todas as fotos outra vez. e agora, uma sensação de que pouco vale a pena. bem pouco. desânimo. desesperança. mas não importa. a vida vai se encarregar de decidir. eu quero ficar solta, leve, livre. quero esperar. gosto de não ter desespero por felicidade, gosto de não fazer de conta que sou maravilhosa. gosto de poder dizer com toda calma que não estou empolgada com nada. gosto de não mentir pra mim. e não importa mesmo se o ano tá começando. gosto de não embarcar nessa de ter obrigação de renovar esperanças. amanhã acho que vou acordar e começar o ano! se acordar a fim... e vou, em 2009, desistir de tudo que duvidar. faz parte da meta de perder escrúpulos que combinei com minha amiga e fada Audrey. ainda quero que o melhor aconteça! e nem sempre o que achamos que é melhor, é.

Escrito por Cléo De Páris às 16h11
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